sexta-feira, 9 de outubro de 2009

DENI COOL

Deni Cool é um cara bem estranho. É o que todos dizem, é o que aparenta ser. Seus olhos vidrados em lugar nenhum, seu andar trôpego desengonçado, seu falar enrolado, empostado, mas uni-tonal. Eu tenho medo, eu tenho medo. Mas ele segue, e como toda cartilha recomenda, ainda almeja o título e as honras de ser um Very Cool Boy! Porque ele acredita naquela imagem que vê na Seção da tarde, que é o que lhe empurram todos os dias com chá e biscoitos de polvilho, do cara com a jaqueta, e das garotas de torcida que tanto sonha em conhecer. Acho que ele não pensa muito, não tem uma ideologia p’ra viver. Só quer ser como todo mundo. E andar como todo mundo anda. E dizer as asneiras que todo mundo diz. E querer demais. E estar sempre ali por apenas estar.

Às terças e quintas freqüenta seu curso, porque o mundo dá voltas, mas não há de parar. Por esse motivo ele segue. Mas ao que parece não pára muito para pensar, ninguém lhe ensinou, a TV não ô fez. Mas ele ainda segue! E comemora como nunca um seis do qual lhe pinta ainda mais medíocre. Deni Cool aprendeu que mesmo sendo ignorado, deve manter o fino trato com as pessoas, e ser cordial, e ser educado, e sentar ao lado da garota mais bela, e babar feito um tapado... Mas isso acho que nem mesmo o próprio percebe. Deni Cool sempre diz: - Olá pessoal! E alguns olham de lado, outros ignoram o ‘para sempre ignorado’. Não sei por que faz isso rapaz. Manda pr’o inferno, e veste a pele do lobo pelo menos uma vez na vida! Deni Cool não se importa, e se acomoda na cadeira que parece, junto à sua imagem, a mais desconfortável da classe.


Ele vai. Vai conseguir o título, e vai até aparecer no noticiário da TV, ter um minuto de fama, quando perceber que algo caiu errado, e terá seu momento de fúria, e porá em prática a mais esperada e alimentada tendência psicopata. A sociedade é ingrata. E faz da imagem moldada marca da desgraça que aí está e se instaurou.

Agora eu vou embora, antes do Deni Cool voltar. Que medo!

Duas tiras. Pretendo dar uma guinada nessa estória. Ela anda meio sem graça...
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